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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

OS MÉDICOS - DISCÍPULOS DE HIPÓCRATES?

Imagem aparentemente disponível para download livre (removo-a, se necessário)

Ontem (18 de Outubro) foi dia dedicado aos médicos, e me senti na obrigação de fazer esse registro.

No mundo conturbado em que vivemos, a presença e assistência dos profissionais da saúde é mais do que bem-vinda - é FUNDAMENTAL, para a manutenção, em níveis toleráveis, do sofrimento humano, ainda que dita assistência seja dão desigual, mundo afora.

Assim, parabenizar os profissionais que se esmeram em atender, que são devotados à causa da vida, é indispensável, natural, merecido.

Posto esse introito, me sinto igualmente na obrigação de trazer a lume algumas considerações sobre essa profissão, que reputam uma das mais nobres que há. Não desdigo isso.

Fui, nada obstante, conferir fundamentos da nobre atividade e, para começar, me detive analisando o tão decantado "juramento de Hipócrates", que se diz recitarem, nas formaturas dos "doutores" (interessante isso, tão nosso, tão brasileiro, tão terceiro-mundista! Lá fora só recebe grau de doutor quem faz doutorado, sejam médicos, engenheiros, psicólogos ou advogados!).

Pois bem, fui de surpresa em surpresa, ao saber que aquele antigo compromisso, desde seu nascedouro, na Grécia antiga, provavelmente lá pelo século V a.C., originalmente tendo como compromissários deuses da mitologia daquele período, tinha contornos algo distantes do que a Associação Médica Mundial. Senão, vejamos...

O juramento original (que naturalmente precisava ser atualizado, óbvio, não estamos mais diante das divindades gregas!) assim postula: 

"Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:

Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.

A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."

Dentre alguns detalhezinhos singelos, alí pelo quarto parágrafo o texto dita que não se dará "...remédio mortal... não darei... nem substância abortiva... Ok, dados os tempos atuais, isso precisava ser eliminado, não concordo, mas entendo a tal AMM. 

Outros detalhes há, mas me prendi somente a esse, acima. Agora vejamos o juramento vigente, atualizado em 2017: 

"EU PROMETO SOLENEMENTE consagrar minha vida ao serviço da humanidade;

- A SAÚDE E O BEM-ESTAR DE MEU PACIENTE serão as minhas primeiras preocupações;

- RESPEITAREI a autonomia e a dignidade do meu paciente;

- GUARDAREI o máximo respeito pela vida humana;

- NÃO PERMITIREI que considerações sobre idade, doença ou deficiência, crença religiosa, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, estatuto social ou qualquer outro fator se interponham entre o meu dever e meu paciente;

- RESPEITAREI os segredos que me forem confiados, mesmo após a morte do paciente;

- EXERCEREI a minha profissão com consciência e dignidade e de acordo com as boas práticas médicas;

- FOMENTAREI a honra e as nobres tradições da profissão médica;

.........................................................

FAÇO ESTAS PROMESSAS solenemente, livremente e sob palavra de honra.

A primeira sentença do novo juramento me preocupa UM POUCO, quando me deparo com profissionais médicos que são melhores pecuaristas do que médicos. Não tenho nada contra a maneira como os profissionais "de branco" dispendem seus recursos, mas atenção aos pacientes deveria estar em primeiro lugar. Ao contrário, é corriqueiro se saber de "doutores" (essa rotulação me incomoda!) que dispensam pacientes, em benefício de suas clínicas e negócios particulares - onde fica a vida dedicada?

Não entendo muito bem de porque o terceiro e o sétimo termo do tal juramento me fazem pensar de modo obsessivo no Dr. Abdelmassih!!!!!!

"Fomentarei a honra e as nobres tradições... " Mas como assim? Marcando ponto e sumindo no mundo? Entrando no plantão e deixando-o a meio? 

Posso estar enganado, senhoras e senhores, mas me parece que os compromitentes modernos desses juramentos nem sequer pensam no que estão prometendo, diante do céu.

Aí...deveriam se preocupar com o final do antigo compromisso: "...o contrário aconteça."

Saudações aos profissionais médicos que atuam com seriedade e competência (lembro aqui dos Médicos Sem Fronteiras, e de mais uns tres ou quatro muito sérios, que conheci pessoalmente, e na atividade). Aos que fazem da profissão trampolim para a riqueza pura e simples e o fisiologismo... atentem para o que jurararm! Podem estar se arriscando às maldições por trás da escrita!!!

Juramento de Hipócrates, ou juramento dos hipócritas...

terça-feira, 1 de março de 2016

PALHAÇOS... MAS O RESPEITÁVEL PÚBLICO NÃO ESTÁ RINDO...



As notícias de hoje (01.03.2016) do meu Brasil varonil nos informam que profissionais da saúde já semeiam pelo território nacional algumas greves, e prometem mais ocorrências da espécie, a partir dessa quarta (02.03).

A grita dos rebelados é quase a mesma - falta de recursos para pagar profissionais, falta de insumos (medicamentos, material de curativos, utensílios de uso hospitalar...).

E isso em meio a uma das mais sérias situações que a saúde pública já enfrentou, no Brasil - estamos sob assédio continuado e incremental* de vetores* viróticos seriíssimos, como de dengue, chikungunya e zika, que já ceifaram algumas vidas, e comprometeram milhares de outras...

Para onde nos voltaremos? Como soi* acontecer na nação tupiniquim, as massas sofridas, entregues ao desamparo por uma bando de políticos mesquinhos, egocêntricos, megalômanos, corrompidos até o fundo da alma**, se exasperam, depredam coisas, vociferam palavras de ordem ou chulices, e... ESPERAM...

ESPERAM A BOA VONTADE de governantes que nunca** a têm. Esperam pelo beneplácito de gente que já vendeu nosso povo, cujo preço costuma aportar em paraísos fiscais pelo mundo afora (nem pensar em deixar o butim aqui!!!!).

Nada obstante, a arrecadação de tributos continua. Vai você, leitor desta crônica, se recusar a pagar o IPVA do surrado (ou nem tanto) veículo da família!!!!! Aguarde pelo guincho das autoridades!

OU deixem de pagar o imposto de renda, por exemplo - verão como a voracidade do "leão" supera os pesadelos mais ominosos*!!!!

Quero dizer, senhoras e senhores, que recursos OS HÁ, e abundantes. Nada obstante o dispêndio astronômico com a máquina administrativa das esferas de governo, HÁ RECURSOS. O que acontece é o que começa a ser delineado pela operação "Lava Jato" - desvios, propinas, corrupção em todos os seus matizes...

POLÍTICOS DO MEU BRASIL**... vocês ME ENOJAM.

Mas me passam algo mais... será que não entendem que estão dando "um tiro no pé", literalmente? Sim, porque o tempo (esse algoz!!!) lhes mostrará que o que fazem de cruel com nossa gente, em todas as esferas decisórias, lhes alcançará, num efeito rebote! E, mais dia, menos dia, algum familiar de Vossas Excelências será alcançado pelo inoperância implantada em nossa terra!!!!!

Tem também a vergonha na cara, que vocês** não têm. Mas com isso vocês não se importam, não é mesmo?

PALHAÇOS, CONTINUEM FAZENDO O SHOW. Continuem desviando recursos, fazendo sofrer nossa gente, literalmente matando gente inocente, ao nos negar os recursos que amealham.

SAIBAM, porém... A "platéia" um dia vai cansar... E não serão alguns milhares de políticos e seus guarda-costas que vão segurar mais de DUZENTOS MILHÕES de sofredores.

O tempo (ah, esse algoz!) dirá, a respeito. Aguardem.

* Aqui e acolá insiro em minhas crônicas algumas palavras menos usadas. Meu intuito é incrementar de alguma maneira o conhecimento. Assim, quem não souber o significado de algo, procure - não saber não é vergonha, vergonha é ser ignorante a ponto de não querer saber!
**Sempre pontuarei que há exceções, mas são tão poucos!!!! (aliás, estou preocupado de alguns dentre esses poucos estarem se bandeando para o lado "negro"...).


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

DE MÉDICOS E HIPOCRISIA PROFISSIONAL



Preciso hoje fazer um registro a respeito de um dos pontos "cegos" no horizonte das carências de nossa gente brasileira.

Muita coisa se fala a respeito das atribuições dos governos, suas omissões inadmissíveis, dos desvios de verba, etc e tal, mas há algumas amarras miúdas, que contribuem para embaraçar ainda mais as linhas. Mas porque estão fora da visibilidade social, digamos assim, são solenemente ignoradas, quando o debate é levantado.

Assim é em relação ao tripé Educação-Saúde-Segurança. Pretendo expor essas dificuldades "extra-debate", em relação a cada uma dessas atribuições estatais.

Mas hoje quero me deter na classe médica.

Já existiu todo um "glamour" em torno dos homens "de branco", das pessoas que salvam vidas, que minimizam o sofrimento físico. Profissionais que levam a vida inteira aprendendo como o corpo funciona, e as possibilidades de conserto que essa máquina maravilhosa - que é o ser humano, pode ter.

Me lembro de pessoas incríveis, que clinicavam enquanto estavam em pé, gente como o Dr. Ivan (meu pediatra), lá do Méier, meu bairro natal, no Rio de Janeiro... ou Dr. Wilson Tramontini, pediatra, de Cianorte, PR, ou o Dr. Antonio Matheus de Menezes (clínico geral), na pequenina Jequiriçá, BA...  sem dúvida há alguns outros abnegados...

Mas notem que eu coloquei "Já existiu todo um 'glamour'..."JÁ EXISTIU.

Já existiram pessoas que prezassem com maior valor sua vocação, que sentissem verdadeiro prazer em salvar vidas, em curar pessoas, em mitigar o sofrimento alheio. Já existiram pessoas que levassem a sério o famoso (e superado) juramento de Hipócrates - claro, a questão da remuneração seria controversa, e aqui é que se estabelece a diferença entre profissionais e empresários.

Se fossemos considerar a capacidade de atendimento de nossa classe médica, ou melhor, se eles se ocupassem MESMO de um percentual honesto de pacientes, teríamos toda a população atendida, não se enganem! A maioria de nossa gente vive em locais servidos diretamente, ou de perto, por médicos.

A problemática está mais relacionada "ao que buscam ter", ao invés de "ao que querem fazer".

Num país solapado por males de todo o tipo, como dar-se ao luxo de trabalhar UM DIA, por semana, ganhar R$ 10.000,00 mensais, e o restante do tempo estar aos serviços de suas próprias clínicas, ou empreendimentos particulares? Vou além... não tenho nada contra a pessoa colocar preços em seu trabalho bem feito (nem sempre, infelizmente), mas fraudar, por exemplo, órgãos públicos, registrar digitais, e ir trabalhar em sua clínica? IMORALIDADE.

Pessoas, porque os médicos não podem viver vidas comuns? Porque não podem trabalhar ao menos VINTE horas semanais, para minorar o sofrimento de nossa gente, e destinar as remanescentes vinte horas da semana "inglesa" para clinicar, pescar ou bordejar por aí?

Não... Assim temos médicos que são na verdade pecuaristas, políticos, agricultores, administradores, agiotas... isso, claro, antes de serem médicos (em ordem de importância de atividade).

Muito se tem dito sobre o programa "Mais Médicos", do governo PT. Que eu pessoalmente acho uma aberração. Mas os Conselhos de Medicina é que deveriam se envergonhar - fazem de sua classe semideuses, praticamente, fazendo também discreto fisiologismo, ao invés de lhes instruírem a buscar serem primeiramente profissionais, e aí então tentarem a carreira de magnatas... mas quando o governo tenta, ainda que de uma forma totalmente condenável, mitigar o problema do atendimento, ficam revoltados, etc e tal... PONHAM ESSA MOLECADA PRA TRABALHAR, para darem valor ao dinheirinho suado que tentam colher de nossa gente, que em sua maioria, não pode pagar preços de "Sírio-Libanês"!

Nem me falem da remuneração que o SUS oferece aos médicos credenciados (uma miséria, reconheço)! Quero saber de interesse em manter vidas, em cuidar da dor das pessoas. Existe, isso?

Soube, em paralelo, que jovens médicos iniciaram empreendimento no qual, mediante módicos preços, são realizadas consultas, em bairros populares (em São Paulo, SP, se não me engano). Pois bem... ELES ENRIQUECERÃO. E serão lembrados pelo seu desprendimento em, ao invés de cobrar R$ 250,00 por consulta, ponderarem que TALVEZ o paciente viva só com o salário mínimo, e lhe cobrem R$ 60,00. E as comparações com os "magnatas" serão inevitáveis... podem escrever.

Quando aos demais? Alguém já disse:  "A soberba precede a ruína.".  A eles lhes caberá o finalzinho do juramento que recitam - em parte, mas rejeitam cumprir:  "Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."

"Se ao final dela, a vida se resumir ao que você possuir, você não teve nada nessa vida."  

quinta-feira, 29 de março de 2012

PLANOS DE SAÚDE E MEGALOMANIA

Próximo dia 07 de abril, a categoria dos médicos deve estar paralisando seu atendimento regular - somente os atendimentos de emergência devem se manter ativos.

Essa paralisação é um reclame, que considero justo, da classe médica em relação dos baixíssimos valores de repasse dos planos de saúde, pelos serviços daqueles profissionais. E, ANTES QUE ALGUÉM SE ABORREÇA com a ganância dos médicos, eu sugiro que pergunte a algum amigo médico quanto ele ganha, por exemplo, de um repasse de consulta da UNIMED, ou da GOLDEN CROSS.

E não quero que ninguém vá à falência, mas a rentabilidade desses planos é enorme. De passagem, já notaram os hospitais que alguns deles construíram, pelo Brasil afora? Ótimo que têm excelentes condições de atendimento, mas os profissionais, que fazem a coisa toda funcionar, precisam também ter a justa compensação pelo trabalho de cuidar da VIDA humana.

E eu não penso em lucros dos médicos, quero que eles ganhem bem, para que ME TRATEM BEM, e por extensão aos brasileiros. Agora, do que adianta um médico só olhar a gente e prescrever algo, pra nos tirar da frente dele, porque precisa fazer "x" atendimentos, para pagar a escola do filho? Isso é loucura, em toda parte médicos são valorizados (assim como professores, bombeiros, policiais...)...

Nós precisamos nos levantar é contra as oligarquias modernas, que deixam nossas sociedades de joelhos, sempre.

Sobre o Neymar e uma população infantil

  Imagem baixada de jornal de circulação nacional A Copa do Mundo 2026 terminou. Com algumas frustrações, alegrias (poucas... porque alguém,...